Exames de rotina: conheça os principais e entenda para que servem

Os exames de rotina ajudam a acompanhar diferentes aspectos da saúde e podem identificar alterações antes mesmo do aparecimento de sintomas.

Hemograma, glicemia, colesterol, exames de urina e aferição da pressão arterial estão entre as avaliações frequentemente solicitadas durante o acompanhamento médico.

Entretanto, não existe uma lista única de exames que todas as pessoas precisam fazer todos os anos.

A idade, histórico familiar, alimentação, uso de medicamentos, doenças existentes e outros fatores influenciam quais avaliações realmente são necessárias.

Neste guia, você vai conhecer os principais exames de rotina e para que servem, além de entender quando podem ser solicitados e quais cuidados tomar antes da realização.

Por que fazer exames de rotina?

Os exames podem ajudar o profissional de saúde a avaliar como o organismo está funcionando.

Eles podem ser utilizados para:

  • Identificar alterações precocemente;
  • Investigar sintomas;
  • Avaliar fatores de risco;
  • Acompanhar doenças já diagnosticadas;
  • Verificar a resposta a tratamentos;
  • Monitorar o uso de determinados medicamentos;
  • Realizar rastreamentos preventivos.

Um resultado isolado, porém, nem sempre significa que existe alguma doença.

A interpretação deve considerar sintomas, histórico clínico e outros resultados.

Todo mundo precisa fazer check-up uma vez por ano?

Não necessariamente.

A frequência depende do perfil de cada pessoa.

Uma pessoa jovem, saudável e sem fatores de risco pode precisar de um acompanhamento diferente daquele indicado para alguém com hipertensão, diabetes, histórico familiar de doenças ou uso contínuo de medicamentos.

Por isso, o ideal é que os exames sejam definidos após uma avaliação individual.

Fazer exames sem indicação também pode encontrar pequenas alterações sem importância clínica e acabar levando a novas investigações desnecessárias.

Hemograma completo

O hemograma é um dos exames de sangue mais conhecidos.

Ele analisa principalmente três grupos de células:

  • Hemácias;
  • Leucócitos;
  • Plaquetas.

As hemácias transportam oxigênio pelo organismo.

Os leucócitos participam das defesas do corpo.

As plaquetas estão relacionadas ao processo de coagulação.

O hemograma pode auxiliar na investigação de condições como anemia, infecções e algumas alterações hematológicas.

Glicemia de jejum

A glicemia mede a quantidade de glicose presente no sangue.

Ela é utilizada principalmente na investigação e acompanhamento de alterações relacionadas ao diabetes.

Segundo orientações da Atenção Primária do Ministério da Saúde, a glicemia de jejum é recomendada para rastreamento de pessoas a partir dos 45 anos e também pode ser indicada antes dessa idade quando existem determinados fatores de risco. Quando o resultado de rastreamento é normal, a orientação apresentada pelo Ministério prevê nova avaliação em três anos para esse grupo.

Pessoas com sintomas ou fatores de risco podem necessitar de avaliação mais precoce.

Hemoglobina glicada

A hemoglobina glicada, também chamada de HbA1c, oferece informações sobre a glicemia durante um período mais prolongado.

Diferentemente de uma medição isolada da glicose, ela ajuda a estimar como os níveis de açúcar no sangue se comportaram nos últimos meses.

Esse exame pode ser utilizado para:

  • Auxiliar no diagnóstico de diabetes;
  • Acompanhar pessoas que já possuem diabetes;
  • Avaliar o controle glicêmico.

A necessidade e frequência dependem da situação clínica.

Colesterol e triglicerídeos

O perfil lipídico avalia gorduras presentes no sangue.

Entre os componentes mais conhecidos estão:

  • Colesterol total;
  • LDL;
  • HDL;
  • Triglicerídeos.

Esses resultados ajudam na avaliação do risco cardiovascular.

O profissional também considera fatores como pressão arterial, diabetes, idade, tabagismo, peso e histórico familiar antes de definir o risco de cada pessoa.

Por isso, olhar apenas para um número do colesterol nem sempre oferece uma visão completa.

Creatinina

A creatinina é um exame de sangue utilizado principalmente para ajudar a avaliar o funcionamento dos rins.

A partir do resultado, junto com informações como idade e sexo, pode ser estimada a taxa de filtração dos rins.

O exame costuma ter importância especial para pessoas com:

  • Hipertensão;
  • Diabetes;
  • Doença renal;
  • Uso de determinados medicamentos;
  • Histórico de alterações renais.

Ela também faz parte da avaliação laboratorial de pessoas com hipertensão acompanhadas na Atenção Primária.

Exame de urina

O exame conhecido como urina tipo 1, EAS ou exame qualitativo de urina avalia diferentes características da urina.

Ele pode fornecer informações sobre:

  • Presença de sangue;
  • Proteínas;
  • Glicose;
  • Leucócitos;
  • Alterações no sedimento urinário.

Pode ser solicitado na investigação de sintomas urinários e em determinadas avaliações clínicas.

Também faz parte dos exames utilizados na avaliação de alguns pacientes com hipertensão.

Ureia

A ureia também pode ser medida por exame de sangue e está relacionada ao metabolismo das proteínas e à eliminação de resíduos pelo organismo.

Em algumas situações, pode ser analisada juntamente com a creatinina para ajudar na avaliação clínica.

O resultado, entretanto, pode sofrer influência de fatores como alimentação, hidratação e diferentes condições de saúde.

Por isso, não deve ser interpretado isoladamente.

Exames do fígado

Alguns exames de sangue ajudam a avaliar alterações relacionadas ao fígado e às vias biliares.

Entre os mais conhecidos estão:

  • ALT ou TGP;
  • AST ou TGO;
  • Gama-GT;
  • Fosfatase alcalina;
  • Bilirrubinas.

Esses exames não precisam necessariamente fazer parte do check-up de todas as pessoas.

Podem ser solicitados quando existem sintomas, fatores de risco, uso de determinados medicamentos ou necessidade de acompanhamento de alguma condição.

TSH e exames da tireoide

O TSH é um exame utilizado na avaliação do funcionamento da tireoide.

Quando necessário, pode ser analisado juntamente com outros exames, como T4 livre.

Alterações da tireoide podem provocar sintomas como mudanças de peso, cansaço, alterações de frequência cardíaca e sensibilidade ao frio ou calor.

Entretanto, esses sintomas possuem diversas possíveis causas.

Por isso, cabe ao profissional avaliar quando a investigação da tireoide é indicada.

Aferição da pressão arterial

A medição da pressão não é um exame de sangue, mas representa uma das avaliações preventivas mais importantes.

A hipertensão pode permanecer durante muito tempo sem provocar sintomas.

Na Atenção Primária, o Ministério da Saúde recomenda verificar a pressão de adultos a partir dos 18 anos quando não houver registro de uma medição nos últimos dois anos. Outra página do Ministério orienta que adultos façam medições regulares, com maior frequência quando há fatores de risco.

Uma única medição elevada nem sempre confirma hipertensão.

Normalmente são necessárias novas avaliações, exceto em determinadas situações de pressão muito elevada.

Eletrocardiograma

O eletrocardiograma registra a atividade elétrica do coração.

Ele pode ajudar a identificar alterações no ritmo cardíaco e outros sinais que mereçam investigação.

Pode ser solicitado em situações como:

  • Palpitações;
  • Dor no peito;
  • Algumas avaliações pré-operatórias;
  • Investigação cardiovascular;
  • Acompanhamento de determinados pacientes.

Não significa, porém, que toda pessoa saudável precise fazer um eletrocardiograma anualmente.

Mamografia

A mamografia é utilizada tanto para investigar alterações suspeitas quanto para rastrear câncer de mama em pessoas sem sintomas.

No SUS, desde setembro de 2025, a recomendação do Ministério da Saúde para rastreamento populacional passou a abranger mulheres de 50 a 74 anos, a cada dois anos.

Quando existe caroço, alteração da pele, secreção pelo mamilo ou outro sinal suspeito, a avaliação é diagnóstica e não deve esperar a idade ou intervalo do rastreamento.

Pessoas com risco aumentado também podem receber orientações diferentes.

Exame para prevenção do câncer do colo do útero

O rastreamento do câncer do colo do útero está passando por uma importante mudança no Brasil.

O SUS começou a substituir gradualmente o Papanicolau como exame primário pelo teste molecular para DNA-HPV.

Nas novas diretrizes, o rastreamento utilizando DNA-HPV é indicado para pessoas com colo do útero entre 25 e 64 anos e, quando o resultado é negativo, o intervalo geralmente passa a ser de cinco anos.

A implantação está sendo ampliada progressivamente pelo país, com previsão do Ministério da Saúde de alcançar toda a rede pública até o fim de 2026.

Por isso, dependendo da cidade, ainda pode haver diferenças no método utilizado.

Rastreamento do câncer colorretal

Em 2026, o SUS incorporou uma nova estratégia nacional para rastreamento do câncer de cólon e reto.

O exame de referência é o Teste Imunoquímico Fecal (FIT), que procura pequenas quantidades de sangue nas fezes.

A indicação divulgada pelo Ministério da Saúde é para homens e mulheres assintomáticos entre 50 e 75 anos, com realização a cada dois anos.

Quando o resultado apresenta alteração, podem ser necessários exames complementares.

Exames específicos para homens

A avaliação da saúde masculina também deve considerar idade, sintomas e fatores individuais.

O PSA, por exemplo, mede uma proteína relacionada à próstata.

Entretanto, não deve ser encarado simplesmente como um exame obrigatório anual para todos os homens.

A decisão sobre investigação e rastreamento de câncer de próstata deve considerar idade, riscos, benefícios e histórico individual.

Homens que apresentam alterações urinárias ou outros sintomas devem procurar atendimento, independentemente da idade.

Exames específicos para mulheres

Além dos rastreamentos de mama e colo do útero, outros exames podem ser solicitados de acordo com idade, sintomas e condições individuais.

Isso pode envolver avaliações ginecológicas, hormonais ou exames de imagem.

O fato de um exame ser comum em consultas ginecológicas não significa que deva ser repetido todos os anos por todas as mulheres.

A indicação deve ser individualizada.

Densitometria óssea

A densitometria avalia a densidade mineral dos ossos e ajuda a identificar osteoporose ou perda importante de massa óssea.

Ela pode ser indicada principalmente conforme idade e presença de fatores de risco.

Entre esses fatores podem estar:

  • Menopausa;
  • Fraturas anteriores;
  • Uso prolongado de determinados medicamentos;
  • Histórico familiar;
  • Algumas doenças crônicas.

A periodicidade varia de acordo com os resultados e a situação clínica.

Exames antes de uma cirurgia

Antes de procedimentos cirúrgicos, podem ser solicitados exames como:

  • Hemograma;
  • Glicemia;
  • Avaliação da função renal;
  • Eletrocardiograma;
  • Testes de coagulação.

Entretanto, nem toda cirurgia exige exatamente o mesmo conjunto.

A idade, tipo do procedimento, anestesia, doenças existentes e medicamentos utilizados influenciam a avaliação pré-operatória.

Precisa estar em jejum para todos os exames?

Não.

A necessidade de jejum depende do exame e da metodologia utilizada pelo laboratório.

Por isso, não é recomendável assumir que todo exame de sangue exige oito ou doze horas sem comer.

Alguns exames realmente possuem orientações específicas, enquanto outros podem ser realizados sem jejum.

Sempre confira as instruções fornecidas pelo laboratório ou profissional que solicitou o exame.

Pode beber água antes do exame de sangue?

Em muitos exames, água pura pode ser consumida mesmo quando existe orientação de jejum.

Entretanto, situações específicas podem exigir instruções diferentes.

O melhor é seguir exatamente a orientação do laboratório.

Também informe todos os medicamentos e suplementos utilizados.

Não suspenda medicamentos por conta própria apenas porque fará exames.

Como se preparar para exames de rotina

Antes de ir ao laboratório ou clínica, confira:

  • Se é necessário jejum;
  • Horário recomendado para coleta;
  • Medicamentos que precisam ser informados;
  • Forma correta de coletar urina ou fezes;
  • Documentos necessários;
  • Pedido médico, quando exigido;
  • Orientações específicas do exame.

Em determinados testes também pode haver recomendação para evitar exercício intenso, bebidas alcoólicas ou outros fatores antes da coleta.

Exames alterados significam doença?

Nem sempre.

Os valores de referência ajudam na interpretação, mas um resultado um pouco acima ou abaixo do intervalo não significa automaticamente que existe uma doença.

Resultados podem sofrer influência de:

  • Alimentação;
  • Hidratação;
  • Exercício físico;
  • Medicamentos;
  • Horário da coleta;
  • Características individuais.

Por isso, o resultado deve ser analisado em conjunto com o quadro clínico.

É preciso repetir um exame alterado?

Em algumas situações, sim.

O profissional pode solicitar uma nova coleta para confirmar a alteração ou pedir exames complementares.

Isso acontece porque um único resultado nem sempre é suficiente para fechar um diagnóstico.

No caso da hipertensão, por exemplo, o Ministério da Saúde orienta que o diagnóstico normalmente seja confirmado em mais de uma avaliação.

O mesmo princípio pode ser aplicado a várias alterações laboratoriais.

Quando procurar atendimento mesmo sem esperar o check-up?

Exames preventivos não devem atrasar a investigação de sintomas.

Procure avaliação médica quando perceber sinais persistentes ou preocupantes, como:

  • Dor no peito;
  • Falta de ar importante;
  • Sangramento sem explicação;
  • Perda de peso involuntária;
  • Febre prolongada;
  • Desmaios;
  • Fraqueza intensa;
  • Alterações persistentes do intestino ou urina;
  • Caroços ou alterações corporais novas.

Nessas situações, o objetivo deixa de ser simplesmente um exame de rotina e passa a ser uma investigação diagnóstica.

Qual é a frequência ideal dos exames?

Não existe uma frequência universal.

Alguns rastreamentos possuem intervalos definidos para grupos específicos, enquanto exames laboratoriais dependem principalmente do risco individual.

Uma pessoa com diabetes pode precisar repetir determinados exames várias vezes ao ano.

Já alguém saudável pode não precisar realizar o mesmo exame anualmente.

A melhor estratégia é manter acompanhamento periódico com um profissional de saúde e definir quais avaliações realmente fazem sentido para sua idade e histórico.

Exames de rotina ajudam na prevenção

Conhecer os principais exames de rotina e para que servem ajuda a entender melhor os cuidados preventivos com a saúde.

Hemograma, glicemia, colesterol, avaliação renal, pressão arterial e outros exames podem ser importantes em determinadas situações, mas devem ser solicitados de acordo com as necessidades individuais.

Rastreamentos como mamografia, teste para HPV e pesquisa de sangue oculto nas fezes seguem critérios específicos de idade e periodicidade.

Por isso, mais importante do que simplesmente realizar muitos exames é fazer aqueles realmente indicados para seu perfil e discutir os resultados com um profissional de saúde.

Dúvidas Frequentes

Entre os exames frequentemente solicitados estão hemograma, glicemia, colesterol, triglicerídeos, creatinina, exame de urina e aferição da pressão arterial. A necessidade depende da idade, histórico e condições de saúde.

Não necessariamente. A frequência dos exames deve ser definida de acordo com idade, fatores de risco, sintomas, doenças existentes e orientação do profissional de saúde.

Não. Alguns exames exigem jejum, enquanto outros podem ser realizados normalmente. O ideal é seguir as orientações fornecidas pelo laboratório antes da coleta.

Nem sempre. Pequenas alterações podem ocorrer por diversos motivos, como alimentação, hidratação, medicamentos ou exercício físico. Os resultados devem ser interpretados por um profissional.

Eles podem ajudar a identificar fatores de risco e algumas alterações antes do aparecimento de sintomas, permitindo acompanhamento e investigação quando necessário.